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ryonji senjusangendo sapporo snow festival

 

STUDY TOUR OF JAPAN FOR EUROPEAN YOUTH 2008 [Concurso de Ensaios]

Testemunho de Carmen Mendes, participante do programa deste ano

 

Aeroporto Internacional de Narita

 

Aula de tiro com arco na University of Foreign Studies de Tóquio

Vestidas com a Yukata (versão ligeira do Kimono) para jantar no Ryokan (hotel tradicional japonês).

 

Almoço em restaurante japonês.

 

 

Com a senhora da família de acolhimento, Miyajima – Hiroshima.

 

Família de acolhimento em Hiroshima.

 

Resquícios da presença portuguesa: o pão-de-ló é famoso no Japão.

 

Sobrevivente da bomba atómica, Hiroshima (com a tradutora, à direita).

 

Caixa de almoço japonês (para dias de almoço volante).

 

O bairro das gueixas, Guion, Quioto.

 

Lição de origami (técnicas de dobragem de papel) na Associação Nagisa Taiko.

Veado no Todai-ji (templo), Nara.

 

"Simbolicamente, chegámos ao Japão no dia em que o seu novo Primeiro-Ministro Taro Aso tomou posse. Recebidos por Noriteru Fukushima, Vice Director-Geral do Departamento de Assuntos Europeus do Ministério dos Negócios Estrangeiros japonês, fomos apelidados de “embaixadores das várias nações europeias”. De facto, este grupo de trinta jovens estava prestes a mergulhar nos mais variados aspectos da cultura japonesa. Doze dias intensos que nenhum de nós esquecerá e uma experiência que, seguramente, todos partilhámos nos nossos núcleos pessoais e profissionais assim que regressámos a casa.

 

O programa, pensado ao pormenor, cobriu os mais variados aspectos da história, política, economia, sociedade, religião e cultura japonesas. Visitámos os locais mais emblemáticos das cidades de Tóquio, Hiroshima, Quioto, Nara, Kobe e Osaka, nomeadamente templos e santuários (até tivemos a oportunidade de assistir a um casamento xintoísta e a uma cerimónia equivalente ao baptismo cristão) e foram-nos proporcionadas palestras proferidas por especialistas sobre os mais variados temas. Contactámos com estudantes universitários que nos ensinaram algumas das actividades que praticam, como o tiro com arco e ikebana, a famosa arte japonesa de elaborar arranjos florais. De facto, a nível cultural, desde a gastronomia (onde nem as refeições volantes foram ocidentalizadas, sendo-nos entregue um par de pauzinhos e uma caixa de madeira com iguarias japonesas separadas por divisórias de plástico), ao teatro (assistimos a uma sessão do tradicional teatro Kabuki) e aos famosos tambores, nada foi deixado ao acaso. Na associação dos músicos Nagisa Taiko (tambor tradicional japonês) depois de assistirmos a um concerto fantástico oferecido pelos homens, mulheres e crianças do grupo (é incrível a energia que transmitem aquelas pessoas com a força com que tocam os imponentes tambores!), tivemos uma lição colectiva de tambor, aprendemos a fazer vários objectos em origami (as típicas dobragens de papel) e fomos recebidos com uma festa em que as senhoras da associação se esmeraram nos acepipes e onde não faltou o popular karaoke. Foi uma noite mágica, em que nos ensinaram a encerrar uma festa (numa sequência de palmas e gritos colectivos) e nos foi revelada a importância da “cerimónia do adeus”, acenando-nos energicamente com as duas mãos até o nosso autocarro desaparecer completamente de vista. Esta prática, aliás, repetiu-se toda a viagem: as diversas pessoas com que contactámos (incluindo empregados de alguns hotéis e restaurantes) acompanhavam-nos ao autocarro para nos dizerem adeus.

 

Muito calorosa foi também a recepção das famílias de acolhimento com que cada um de nós passou uma noite em Hiroshima, tendo-nos proporcionado as mais diversas experiências. A “minha família” levou-me a Miyajima, Património Cultural da Unesco, onde o templo que domina a ilha está construído sobre estacas por cima do mar. Ora estávamos nós a tirar a foto em anexo, junto ao pórtico do templo, quando a maré subiu e, num ápice, ficámos rodeados de água, tivemos que nos descalçar e correr para terra firme... Outra experiência surpreendente foi passear no meio de tantos veados que, por serem considerados espíritos dos deuses, proliferam nos parques dos vários templos do país. Estas famílias recebem-nos em regime de voluntariado, apenas pelo gosto de contactar com europeus, mostrando-se muito afáveis e empenhadas em tornar a nossa estadia inesquecível.         

 

As noites que passámos no ryokan, uma estalagem tradicional japonesa, foram também muito especiais. Antes de irmos jantar, vestíamos a yukata, a versão ligeira do kimono, ou seja, uma espécie de robe em algodão, ficando logo preparados para ir para as onsen do hotel, termas em que se tomam banhos públicos, sem qualquer tipo de roupa... (neste caso, os jacuzis e banheiras/lagos masculinos e femininos eram, felizmente, separados). Como em muitos dos edifícios japoneses por onde andámos, no Ryokan tirávamos os sapatos à entrada e calçávamos os chinelos disponibilizados pelo hotel. No quarto, nem de chinelos podíamos andar, pois o chão era em tatami (esteiras de palha); uma ampla divisão que durante o dia funcionava como sala de estar para as quatro ou cinco pessoas que a ocupavam e tinha grandes roupeiros onde estavam guardados os futon, colchões que eram colocados directamente no chão pelas empregadas do hotel durante o nosso jantar. O jantar e o pequeno almoço, servidos por senhoras em kimono, eram aos nossos olhos refeições muito parecidas, à base de tofu e peixe cru, que comíamos sentados sobre os calcanhares em mesas baixinhas colocadas no chão em tatami. No ryokan, tivemos ainda direito a presenciar todo o ritual da cerimónia do chá, cujo rigor de movimentos e solenidade do ritual nos surpreendeu a todos.

 

Dificilmente em doze dias poderíamos ter tido uma experiência mais enriquecedora e fascinante. Arigato Nippon!"

 

Carmen Amado Mendes

Professora Auxiliar, Núcleo de Relações Internacionais, Faculdade de Economia, Universidade de Coimbra. carmen.mendes@fe.uc.pt

 

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